Reportagens

‘Match fixing’ é crime!

Sessão foi participada e benéfica
Ana Marques (FPF) e João Oliveira (SJPF) falam para o grupo no auditório de Pina Manique

Federação Portuguesa de Futebol, Liga de Clubes e Sindicato dos Jogadores estiveram esta tarde em Pina Manique para debaterem com o plantel, equipa técnica e dirigentes do Casa Pia o persistente e grave problema que adultera o futebol: o match fixing.
As entidades- representadas por Paulo Roseira (Liga), Ana Marques (FPF) e João Oliveira (SJPF)- sensibilizaram os jogadores para o crime que é aceder a aliciamento, crime esse que pode ser punido com 10 anos de prisão.
A importância de dizer não, de fazer escolhas conscientes e de, inclusive, denunciar situações através de plataforma criada para o efeito foram pontos chaves da intensa e profícua conversa.
Match fixing é crime!
#maisqueumclube

Sentir futebol
sem ouvir ou falar

Futebol é adrenalina. É tentar controlar o batimento cardíaco.
É esperar pelo golo para extroversão de sentimentos mil.
Felizes os que o fazem com todos os sentidos. Mas mesmo quem não consegue falar ou ouvir, sabe sentir o futebol e participar do espetáculo.
No Casa Pia há grupinho de antigos alunos do ensino especial, surdos mudos que não prescindem de acompanhar a equipa.
Vão à maioria dos jogos. Comunicar com eles não é fácil. Mas os olhos dizem muito. Quase tudo, aliás.
Como se festejam os golos sem voz? Elevam-nos o polegar para cima como que a dizerem que é fácil, batem palmas, soltam gritos mudos.
Ao perguntarmos por nomes, mostram os cartões de sócio do Casa Pia AC.
E apontam para a inscrição – efetivo-, que significa terem sido alunos da Instituição.
Manuel Rodrigues, José Catarino e Luís Dias são parceiros inseparáveis. Ontem à tarde espreitavam as obras do remodelado Pina Manique.
Que acham? De novo polegares ao alto, sorrisos rasgados em sinal de agrado.
Um nasceu já surdo.
Luís Dias logo chama à atenção, gesticulando para tentar contar a sua história. Faz gestos de bebé de colo, depois emite som que se percebe querer dizer pai, imitando de seguida o deambular de um bêbado. Imita depois um cavalo, faz sinal de peito para se referir a sua mãe e reproduz gestos de quem andava a trabalhar no campo. Faz perceber que era bebé, com seis meses pormenoriza com os dedos da mão. O pai bêbado deixou-o no chão, veio o animal do campo e deu-lhe um coice. Deixou de ouvir desde então. Será verdade? Os amigos acenam com a cabeça em sinal de confirmação.
E o Casa Pia? Respondem apontando para o coração.
Qual o jogador de que mais gostam? Apertam o braço, indicando para o sinal da braçadeira e escrevendo num caderno o nome de João Coito.
Vão continuar a acompanhar a equipa na Liga Pro?
Novo aceno de cabeça conjunto.
Vão ensinar-nos a sentir o futebol só mesmo com o coração?
Já o fazem há muito.
#maisqueumclube

«Basta voltar a sentirmo-nos gansos!»

Ivo, 30 anos, assiste diariamente às emoções e superações da equipa do Casa Pia

Ivo faz parte da equipa. Não entra na constituição mas é elemento importante no grupo. No departamento clínico, Ivo – ou Ivolécio como foi alcunhado dadas as parecenças com o ex jogador Idalécio –, é forte amparo da equipa. Sempre assim foi desde que há quatro anos chegou a Pina Manique.
«Comecei logo nos seniores. Também fui jogador, ponta de lança no Camarate, Tenente Valdez, Palmense … mas uma lesão no joelho e três cirurgias obrigaram-me a ficar por aí. Foi quando comecei a pensar na reabilitação desportiva. Com isso consegui conciliar a paixão pelo futebol com o gosto de ajudar os jogadores a fazerem aquilo que tive de deixar de fazer, que foi jogar», conta Ivo, 30 anos, garantindo sentir-se feliz e valorizado quando em campo vê os atletas do Casa Pia a darem o seu melhor.
«É a melhor compensação. Recordo o ano passado. O Roncatto teve uma lesão difícil, a recuperação foi intensa mas no fim de semana a seguir, contra o Pinhalnovense, marcou dois golos e correu para nós a festejar. Foi uma satisfação enorme», sublinha ‘Ivolécio’, até emocionado.
Ora, conhecendo Ivo tão bem os jogadores que transitaram da última e feliz época (que catapultou a equipa para a Liga Pro), desafie-se o profissional a adjetivar cada um dos atletas com os quais continua a viver as emoções de cada jornada:
«Rafael? – A calma em pessoa. Nunca vi alguém assim! Calmíssimo!
Rosa – É o xuxu do Abel.
Abel – Epá, é grande amigo. Estou com ele há três anos. É o doido de Alijó.
Simão – É o excêntrico.
Pedro Machado – O ‘business man’ – sempre ao telemóvel, nos contactos.
Carlitos – O guarda.
João Coito – O nosso capitão. Para mim é o João Ronaldo!
Kenidy – É o wiiiiiiii. É como ele sempre fala. Chega com aquele sorriso contagiante, sempre bem disposto, aconteça o que acontecer e diz: wiiiiiiiiiiii. É o mister contente.
Kikas – O apostador.
Mateus –  Grande lutador.
Jean – É um trator. Um caterpillar!
Roncatto – [risos] Era o meu ponta de lança do FM (Football Manager). Assim que ele cá chegou disse-lhe logo: eras o meu avançado do FM.
Epá, toda a gente me diz isso», respondeu-me ele na altura. De rir!»

Agora novos nomes se cruzam com a vida profissional de Ivo.
Profissional e pessoal, já que é homem de trato fácil, de quem todos gostam, que todos muito respeitam e de quem são amigos.
«Dos que vieram reforçar o grupo? Espero bravura e união para que consigam partilhar e valorizar ainda mais este nosso espírito», deseja Ivo, voltando a recordar momentos de felicidade recente.
«Claro que o melhor momento que já vivi neste clube foi a subida da última época. Depois de tudo o que nos aconteceu, de acharmos que tudo estava perdido, acreditamos até ao fim e a nossa união foi tão forte que fez tudo acontecer. O que era capaz de fazer por esta equipa? Acredito, piamente, que temos potencial para atingir o nosso objetivo que é a manutenção nos campeonatos profissionais. Sei que vamos conseguir. Sei, vejo o que eles valem e como trabalham. Sei lá o que era capaz de fazer… Ir para o Marquês já é muito batido… Acho que mergulhava direto no Tejo ali perto do Padrão dos Descobrimentos», ri-se ‘Ivolécio’, lembrando quando, no balneário, Roncatto gritava a plenos pulmões: «GANSOOOOSSSS, GANSOOOOOSSSS!»
«Voltou agora a fazê-lo quando ganhamos, já esta época, ao Boavista. Foi bom voltar a ouvir. Foi um sentimento bom», reaviva Ivo, aproveitando o gancho para deixar mensagem à equipa que enfrentará época trabalhosa.
«Vivemos o que vivemos. Estava tudo perdido, unimo-nos e chegamos lá. Esta equipa tem qualidade e potencial para repetir o sucesso. Basta voltar a sentirmo-nos gansos. Vamos conseguir!»

Os bons conselhos de Mateus

Mateus, 26 anos, cresceu no Sporting mantendo-se agora
como uma referência no Casa Pia

Mateus Fonseca, camisola 10 do Casa Pia formado no Sporting, esteve quatro anos como residente na Academia leonina. Razão pela qual foi convidado a falar aos atuais internos sobre os tempos que lá passou, da sua experiência e aprendizagens. «Foi muito giro. Fui com o Tiago Llori que é da minha geração. Estava lá um miúdo de 11 anos, de Coimbra. Onze anos! Fiquei a olhar para ele e a pensar… Eles? Não fizeram muitas perguntas. Queriam mais saber com que jogadores tinha privado. Estive lá ao mesmo tempo de Rui Patrício, Adrien, que são mais velhos que eu…Do meu tempo? João Mário, Rúben Semedo, Eric Dier, Ricardo Esgaio, Bruma, Mané, João Teixeira e muitos outros», recorda o médio, de 26 anos, que ainda figura do quadro de recordes da Academia do Sporting. «Recorde de velocidade. Agora já sou para aí 6.º ou 7.º», ri-se Mateus, sublinhando, sim, a mensagem deixada aos jovens que ali se prepararam para o futuro.
«Quis dizer-lhes que aproveitassem ao máximo o facto de ali estarem, de terem o pequeno almoço a horas, aliás todas as refeições, de poderem desfrutar de condições para o futebol mas também para os estudos. Disse-lhes que é fundamental que terminem o 12.º ano, que não descurem a formação académica», conta Mateus, feliz por também ter revivido os seus tempos de adolescente; tempo do qual mantém o sorriso traquina e a forma de tratar a bola por tu.
#maisqueumclube

«Se formos a penalidades ficamos lá o dia todo!»

Luís Reis, 50 anos: de um lado a equipa do Casa Pia, na baliza adversária o seu filho, Fábio

Luís Reis, técnico de equipamentos do Casa Pia, viverá domingo (29/09/19), aquando do jogo de Taça de Portugal em casa do Mineiro Aljustrelense, dia de emoções fortes.
É que, se por um lado estará a apoiar a equipa com a qual trabalha diariamente, do outro, na baliza alentejana, estará Fábio Reis, o seu filho mais velho. «Tem 27 anos. Está lá em Aljustrel há 6 ou 7 anos. Foi para lá com 19…», assenta o pai orgulhoso de jogador cheio de qualidades para a baliza. «Tentando não falar como pai… Ele é muito bom guarda-redes. É alto. Os pés? Joga com o direito e o esquerdo. Aliás, há uns anos, à mesma para a Taça, fomos jogar também a Aljustrel. Fomos a penalidades, o Casa Pia perdeu e o Fábio defendeu quatro penaltis», lembra Luís, recordando o início do percurso do filho, no Corroios, tendo ainda passado por Benfica e Belenenses. «Era puto, lá no Corroios e jogava na frente. Mas andava sempre a picar-se com outro que lá estava. Estavam sempre pegados e o treinador da altura disse-lhe: Fábio vais para a baliza para ver se sossegas. E assim foi. Não mais deixou as redes», conta o técnico de equipamentos, garantindo que o filho, alentejano ‘adotado’, tem já mais sotaque que a própria mulher criada em Aljustrel.
«Como foi quando saiu o sorteio e ficamos a saber do confronto? Primeiro ligou-me o meu filho mais novo, o Gonçalo, que é médio no Corroios. Só depois me ligou o Fábio: ‘atão’, lá nos encontramos, disse-me. Agora ligou-me ontem outra vez: ó pai diz lá ao treinador para fazer treinos bi diários para ver se chegam cansados», partilha o pai, rindo da brincadeira mas alertando o Casa Pia para a agilidade do camisola 1 do Mineiro.
«Nós, Casa Pia, também temos bons guarda-redes e o Rafael também já provou ser muito bom a defender grandes penalidades. Se aquilo dá outra vez para os penaltis – ficamos lá o dia todo! Tem a direção do Mineiro de pagar o jantar», ri-se Luís Reis, confidenciando ainda que, quando Fábio tinha a alcunha de Gadelhas, cioso dos seus cabelos compridos, por duas vezes lhe deu carecadas por castigo. «Portava-se mal na escola e como sabia que o que ele mais adorava era o cabelo levava-o ao barbeiro. Chorava!», recorda o pai que já não lhe dá castigos, só abraços, garantindo: «Nunca sonhei jogar contra um filho na Taça de Portugal. Claro que aqui os jogadores vieram logo dizer-me: então e agora como vai ser? Claro que vou torcer pelo Casa Pia. Só quero que o meu filho não se aleije e que seja o melhor em campo», deseja Luís, pai de Fábio, guarda-redes que, domingo, vai tentar ele castigar o pai guardando as redes do Mineiro frente ao Casa Pia.

«Música vai ser outra»

David Rosa, lateral direito do Casa Pia, é jogador mais valia no grupo, homem cheio de talentos e interesses vários.
Surpreendeu já os colegas recém-chegados ao grupo ao tocar piano durante um estágio. «Só sei tocar bem uma música – Nuvole Bianche de Ludovico Einaudi. Mas foi o meu sonho desde sempre: ser jogador profissional de futebol e aprender a tocar piano. Há cinco meses que estou a ter aulas e estou a adorar. Há que ter tempo para nós próprios e esse é o tempo que reservo para mim», confidencia Rosa, ciente que domingo, na receção à Oliveirense, a música tem de ser outra.
«Tem de ser outra e temos de ganhar. Não sentimos responsabilidade acrescida por razão alguma, apenas sentimos que temos de dar o nosso melhor. E que se cada um de nós der o seu melhor, ganhamos», diz, convicto, o lateral num discurso contagiante.
«Este tempo de paragem de campeonato foi importante para nós, sobretudo para trabalharmos o aspeto psicológico. Que é muito importante. Se o meu psicológico é forte? Penso que sim. Tenho boas bases, um pilar forte. Que é a minha família. O meu pai ainda só falhou um jogo – para ir de lua de mel. Está desculpado [risos]! A minha mãe não vai aos jogos porque tem medo que me lesione… Mas o nosso treinador sabe gerir essa questão muito bem. Tem feito muito bom trabalho. Sabe gerir não só os jogadores mas também os homens», elogia David Rosa, que muito gosta de enaltecer o melhor dos amigos e colegas. Como por exemplo de Joel, seu concorrente direto por um lugar na equipa.
«O Joel é 10 estrelas. Tem quatro anos de Liga Pro, subiu com o Famalicão. Uma palavra para descrevê-lo? Regularidade! Estamos a fortalecer uma grande amizade e isso é muito importante, para também se transpor para o jogo de equipa. E já lhe disse: estou a gostar muito de discutir a titularidade contigo. Sei que, assim que for chamado, vai corresponder da melhor forma. Qualquer um dos dois vai cumprir e estar bem. Até já lhe disse, também: é uma vergonha não nos seguirmos no Instagram. Porque é isso que fazem os amigos. O Joel tem muita qualidade. Eu? Estou numa fase boa. Tenho 29 anos e a idade e experiência trazem-nos maturidade. Agora estou mais calmo. Antes era mais nervoso, mesmo. Agora sinto alguma ansiedade até ao apito inicial. Mais valia? Sinto que sim, que sou mais valia para o grupo pelo facto de também ajudar os meus colegas nos treinos. A avaliação não pode ser feita só através de jogos», analisa o camisola 21 que pelo segundo ano consecutivo representa os gansos negros.
«Já cá tinha estado. Daí que, há duas temporadas, quando me falaram em regressar, quase aceitei de caras. Para voltar a clube onde fui feliz e onde continuo a ser feliz! O Casa Pia é um clube que cativa muitas simpatias. É como na Casa de Papel, onde se gosta mais dos teoricamente mais fracos», compara o jogador que, no grupo, é dos que mais quilómetros faz por jogo. «Gosto de acompanhar esses números, claro. Atenção, sou o que mais corro e o que mais ando – o que significa que também preciso do meu tempo para recuperar. Isto porque também sou um jogador veloz. Tenho bons números na velocidade. O mais constante é o Coito [João Coito]. Esse ganha a todos. Não há hipótese. Parece que está sempre a fazer maratonas. Eu sou mais de velocidade. E gosto de competir comigo próprio. Tento sempre superar-me e fazer melhor que no jogo anterior. Ainda vou atingir os 35 km/h!», dispara Rosa, olhos verdes, discurso fluído, o xuxuzinho do sub-capitão Abel Pereira.
«A velocidade nunca me valeu alcunhas, não. Só o Abel me chama de Xuxu. Xuxu com X, que ele é do SeiXal. Isto, claro, devido à grande amizade que tanto nos ajuda dentro de campo. Muitas vezes, durante os jogos, grita-me: Xuxuzinho, abre mais o jogo! E os adversários riem-se, lógico! E ficamos todos ali a rir em campo», partilha Rosa com quem se ficava a falar toda a tarde.
«O que seria uma boa época? Atingirmos os nossos objetivos. Assegurar a manutenção e continuarmos a viver momentos marcantes. A subida da última época foi linda, foi histórica, mas já passou. Futebol são momentos.
E temos de construir novos!»

Roncatto- entrevista de carreira

Roncatto, 33 anos, está de bem com a vida,
depois de ter passado por vários países e campeonatos

Evandro Roncatto, avançado de 33 anos que cumpre a segunda temporada no Casa Pia AC, é jogador de vasto currículo, resumido na entrevista de carreira concedida ao Bola na Rede.
Sobre o atual momento da equipa, o brasileiro, que afirma que se parasse agora «parava feliz», assenta que Luís Loureiro, ao chegar a Pina Manique, pôs a equipa «com a cabeça em ordem».
«Temos um treinador muito bom, que tem futuro brilhante pela frente», antevê. «O sonho é permanecer na Liga Pro e, se acontecer outra coisa, vai ser sempre bom. Há muito para acontecer e temos de ter os pés assentes no chão porque é um campeonato difícil. Mas temos qualidade e queremos lutar pelos objetivos», resume Roncatto, camisola 11 do Casa Pia, um bem dispostão pronto a dar o máximo. A ler e reler!

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Kikas, ‘menino’ fera!

Kikas sabe que um bom resultado em Faro será galvanizador

Kikas é o rosto e a voz da confiança do Casa Pia AC em véspera de estreia na Liga Pro. O médio, que cumpre a sua segunda época no Pina Manique, já tem experiência de Liga 2 e sabe bem das dificuldades que se vão deparar ao grupo. O que só o reforça, garante.
«Quer queiramos quer não, é outra competição. Mas estamos cientes de que temos de dar o nosso melhor e é com esse espírito que vamos a Faro. Vamos com a ideia de começar bem, ou seja com uma vitória fora de casa na nova competição», desfere Kikas, dono de discurso peremptório, ainda que o nome Kikas e a baixa estatura lhe confiram aparência de fragilidade.
Nada mais errado.
«Kikas? Já ninguém sabe ao certo quem me pôs a alcunha. Sei que era miúdo, estava na formação do Sporting e acho que foi um cliente do restaurante [tem três – Restaurante Telheiro] que me começou a chamar assim. Nem tem nada a ver com o meu nome próprio que é Luís. Foi ficando, passou para o futebol e também em casa só me chamam Kikas. Só me tratam por Luís quando se querem chatear comigo», ri-se o camisola 8 do Casa Pia, de 28 anos, confirmando que até pode ter aparência dócil mas que em campo a raça salta à vista.
«As cicatrizes da cara? Foram quedas, nada têm a ver com o futebol. É verdade que sempre ouvi dizer que nunca tinha chegado mais longe por ser baixinho mas sempre quis contrariar isso com qualidade», conta o jogador, que quase foi campeão no Sporting B.
Agora, Kikas está determinado em aproveitar a montra Liga Pro.
«Claro que é uma competição com maior visibilidade e queremos garantir a manutenção. Eu? Sei que o grupo reforçou-se bem e tenho de fazer por continuar a jogar. Temos de vestir o fato macaco e trabalhar. Em todos os clubes por onde estive sempre dei o meu melhor. Que ideia têm de mim? Acho que positiva. De um jogador que dá tudo, com garra, que quer sempre bola, jogador de qualidade. Que ideia quero que tenham de mim? Que sou jogador de equipa. Que quando entro em campo penso no todo sem importar-me se estou a destacar-me ou não. Que faço tudo em prol do coletivo», sublinha o jovem de olhos verdes, aparência de puto, verdade, mas menino fera a defender os seus.

«Há muito tempo que festejo com flick e mortal!»

Kenidy: equipa já sabe que, antes de abraça-lo, tem de o deixar saltar

Kenidy marcou o segundo golo do Casa Pia AC frente ao Boavista, selando a passagem da equipa à fase de grupos da Allianz Cup.
O avançado, de 26 anos, correu campo dentro dando largas à alegria através de um flick e um mortal para celebrar o 2-0 da sua autoria.
«Há muito tempo que festejo os golos assim. Como sou levezinho e tenho impulsão é-me fácil fazer o mortal. Já quando jogava no Chipre [Doxa] celebrava assim. A equipa? Eles já sabem que o faço a cada golo. Já correm devagar para mim para dar-me tempo e espaço para saltar», ri-se Kenidy – aliás, o jogador está sempre a rir – , contando que aprendeu a fazer flicks e mortais na rua.
«Foi quando jovem, no Cacém, com os amigos. Começamos a querer fazer, a experimentar e como sempre foi fácil para mim continuei. Magoar-me? Nunca me aleijei. Antes sabia fazer mortais para a frente e para trás, agora só faço para a frente…», partilha o angolano, garantindo não ter intenção de imitar ninguém. «Festejo à Nani? Não. Sempre foi a melhor maneira para extravasar a alegria de marcar. Sem querer copiar ninguém. É uma enorme sensação de liberdade e felicidade», assegura o mais jovem de sete irmãos. As mais novas, gémeas de quatro anos. «Elas ainda não me viram a fazê-lo não! Ainda tentam, elas sim, imitar-me a mim…», volta a gargalhar Kenidy que desde novo sempre tomou conta dos irmãos e irmãs.
«Mais mortais? Espero que muitos mais. É sinal que continuo a marcar golos o que é bom para mim e para a equipa», desfere, feliz por ter ajudado o Casa Pia AC a eliminar adversário da I Divisão.

«Vamos fazer mais coisas bonitas»

Kenidy e Martim, autores dos golos, prometem mais e melhor

Martim Maia, médio cedido pelo Rio Ave, foi o autor do primeiro golo da vitória do último sábado, ante o Boavista, triunfo que selou a passagem do Casa Pia AC à fase de grupos da Allianz Cup. O jogador estava, naturalmente, feliz. «Foi gratificante saber que as pessoas, mesmo longe -os meus amigos e família- , me apoiaram, enviando-me muitas mensagens. A comemoração do golo em campo? Só me lembro de ver os meus colegas a correrem para cima de cima de mim! Foi golo importante que desbloqueou o jogo e senti o apoio de todos e isso é muito importante também para os jogos que aí vêm», agradece o camisola 66, analisando a vitória na receção aos axadrezados da I Liga.
«Foi jogo muito bom . O Boavista teve mais posse de bola, talvez mais oportunidades mas fomos bastante inteligentes no jogo. Sabíamos ao que íamos, sabíamos os pontos fracos que podíamos aproveitar do adversário e, nesse aspeto, estivemos melhor que eles. Foi uma merecida vitória», frisa Martim, satisfeito com o princípio de temporada no Pina Manique. «O Casa Pia foi uma boa escolha para mim. Ainda não conquistei nada, tenho muito para melhorar, tenho muitos objetivos para esta época. Mas sinto-me cada vez melhor aqui e, de certeza, que tudo continuará a correr bem. Com todos a remarem para o mesmo lado vamos continuar a fazer coisas bonitas», acredita o médio, finalizando: «Espero que este golo tenha sido o primeiro de muitos. Quero marcar mais, fazer mais assistências e ajudar a equipa.»

Sogro e genro em bancos opostos

Valter Onofre volta a ser adversário do genro na Taça da Liga

No Casa Pia AC-Vilafranquense, a contar para a 1.º fase da Taça da Liga (28/07/19), volta a registar-se encontro curioso. 
O futebol é fértil em histórias, amizades e curiosidades como a que aqui se conta. É que, Valter Onofre, treinador de guarda-redes do Casa Pia AC, vai ser adversário do genro, Sérgio Marquês, adjunto de Filipe Moreira na equipa de Vila Franca de Xira. 
Ambos trabalharam juntos em Pequim (China), em escolas de futebol juvenis, regressaram a Portugal tendo um ingressado no Casa Pia AC  e outro no Vilafranquense, tendo-se já defrontado ambos na final do Campeonato de Portugal (23 junho). 
Agora novo confronto.
«Ainda nem falamos sobre isso. Cada um defende o seu emblema, com todo o brio e profissionalismo. Nem apostas, nem nada», desvaloriza Valter Onofre que, também, garante, ainda não falou com a filha sobre a curiosidade.

Promessa é promessa!

João Coito, David Rosa, Kikas e Abel Pereira

Os novos looks chamaram à atenção. João Coito, David Rosa, Kikas e Abel Pereira surgiram no balneário de cabeça à descoberta. Promessa? David Rosa explica a origem da carecada. «O Abel já tinha falado nisso quando descobriu que ia ser pai de uma menina. Mas já esta quase a nascer e ele não tinha cortado o cabelo. Depois tínhamos falado que, se fôssemos campeões do CNS, não nos escapávamos. E finalmente tivemos coragem», conta, meio desagradado. «As reações? As piores possíveis», ri-se João Coito, na companhia dos outros três, todos homens de palavra que, contudo, estranham agora o espelho. E as fotografias!

Tarde de hidroginástica

O plantel do Casa Pia AC realizou, durante esta pré-época, aula de hidroginástica na Associação Casapiana de Solidariedade (paredes meias com o estádio), altura para descomprimir, conviver e também divertir.
Mas engana-se quem pense que o trabalho não foi custoso. Movimentos dentro de água obrigam a enorme esforço muscular.

No final só se ouviam ‘ais’ e ‘uis’ de treino diferente mas puxadinho que deu para umas boas gargalhadas mas também para dar diferentes estímulos aos atletas que pouco tempo de paragem (férias) tiveram, estando já a trabalhar em força para o primeiro jogo de dia 28 (frente ao Vilafranquense, 1.ª fase Taça da Liga).