De cabeça erguida em Rio Maior
O Casa Pia AC voltou a mostrar, em Rio Maior, que não há adversário que retire a esta equipa a capacidade de competir. Diante do FC Porto, os Gansos chegaram a estar na frente do marcador e obrigaram o líder do campeonato a reagir para levar os três pontos. O resultado não traduz por inteiro a personalidade demonstrada pelo Casa Pia, que voltou a deixar sinais de crescimento e, sobretudo, a confirmação de que o primeiro golo do campeonato podia ser apenas o início.
Depois de um arranque em que o FC Porto assumiu maior iniciativa, o Casa Pia soube resistir à pressão e manter a organização. A equipa casapiana fechou os caminhos para a baliza de Mandic e foi ganhando confiança à medida que o relógio avançava. João Rego deu o primeiro aviso aos 20 minutos, num remate de fora da área que mostrou que os Gansos não estavam dispostos a limitar-se a defender.
A resposta tornou-se cada vez mais evidente. Salah obrigou Diogo Costa a uma excelente intervenção, num remate que levou o guarda-redes portista a uma defesa de elevado grau de dificuldade. Pouco depois, Henrique Araújo voltou a criar perigo na área adversária, mostrando que o Casa Pia começava a encontrar espaços e a acreditar que podia ferir o FC Porto.
E foi precisamente numa bola parada que surgiu o momento há muito aguardado. Na sequência de um canto, o árbitro assinalou grande penalidade a favor do Casa Pia e Henrique Araújo assumiu a responsabilidade. Com enorme tranquilidade, o avançado não desperdiçou a oportunidade e colocou os Gansos em vantagem. O primeiro golo do Casa Pia na Liga chegou finalmente — e chegou com a força de quem acredita que muitos mais estão por chegar.
O golo teve ainda maior significado pela forma como surgiu: depois de uma entrada forte do adversário, o Casa Pia foi capaz de crescer, equilibrar o encontro e aproveitar o seu momento. A vantagem, contudo, durou pouco. Já perto do intervalo, André Silva aproveitou uma situação na pequena área para restabelecer a igualdade, levando o encontro para o descanso empatado.
Na segunda parte, o Casa Pia voltou a apresentar-se competitivo. O jogo tornou-se mais físico e dividido, com ambas as equipas a disputarem cada bola com intensidade. Pauwels voltou a testar Diogo Costa com um remate de muito longe, obrigando o guarda-redes internacional português a uma nova intervenção de qualidade.
O FC Porto acabaria por encontrar novamente nas bolas paradas a solução para desbloquear o encontro. Gabri Veiga bateu um canto e Kiwior apareceu no sítio certo para cabecear para o segundo golo dos visitantes. O Casa Pia viu-se novamente obrigado a correr atrás do resultado, mas não baixou os braços.
Com o encontro já na fase final, Borja Sainz aumentou a vantagem portista após uma transição rápida, colocando o marcador em 1-3. Ainda assim, os Gansos continuaram a procurar a baliza adversária e não desistiram de reduzir a diferença. Henrique Araújo voltou a aparecer na área e obrigou Diogo Costa a mais uma intervenção, numa demonstração de que o Casa Pia continuava a acreditar até ao último instante.
O resultado acabou por sorrir ao FC Porto, mas Rio Maior voltou a ser palco de uma equipa do Casa Pia capaz de enfrentar um dos grandes do futebol português sem abdicar da sua identidade. O primeiro golo chegou. A competitividade também esteve presente. E a crença permanece intacta.
Há derrotas que deixam pouco. Esta deixa a certeza de que algo começou a mudar. O Casa Pia encontrou finalmente o caminho para o golo e mostrou que, a partir daqui, a história pode ser diferente.

