Grande Adepto

«Joguem com a mesma alegria com que jogavamos no colégio!»

Alberto Pinhão feliz por a família comungar da sua paixão e devoção pelo Casa Pia

Alberto Pinhão,  61 anos, natural de Lisboa, sente as cores do Casa Pia.
A ligação é forte e compreensível .
«Aos oito anos fui para o colégio Nun’Alvares. Fiz lá a quarta classe e depois fui para o colégio Pina Manique onde estive até 1973. Sou ganso, joguei à bola e quando saí, uma vez ou outra, ainda ia ver o Casa Pia. Depois foi-se perdendo a ligação. Cada um foi à sua vida, constituíram-se famílias mas agora, com o Facebook, voltamos a reencontrar-nos passados 30 ou 40 anos. Voltamos aos almoços, aos jogos de futebol, reatamos a ligação sentimental. E com ela vamos continuar. De preferência, quem puder ajudar que ajude. Felizmente, tenho possibilidade e estou a investir e a ajudar», assenta Alberto, empresário da Fábrica dos Óculos de Odivelas, um dos grandes patrocinadores da equipa esta temporada.
«Claro que a ajuda é de coração, vindo depois por acréscimo o enorme prazer de ter a minha marca associada à imagem do clube. Já tive propostas para associar-me a outros clubes mas prefiro manter o investimento e a ajuda no Casa Pia», sublinha Alberto, avançando que seria enorme alegria chegar ao final da época com a equipa no meio da tabela da Liga Pro.
«Não podemos perder a força. Admito que nunca pensei patrocinar e acompanhar o meu clube nos campeonatos profissionais. Tudo foi espetacular! A final do Estádio Nacional…Não chorei que não sou chorão mas foi alegria imensa. Pulamos tanto… Foi muito bom e acredito que ainda teremos muitos motivos para aplaudir o clube», aposta.
E se vibrar e viver intensamente o Casa Pia já é emocionante, melhor se torna quando em família.
«A minha filha mais velha, Eugénia, a Geni, que faz 30 anos, é fã de futebol desde pequenina. Todo e qualquer programa relacionado com futebol… ela nunca diz que não.  A mais nova, Amanda, gosta de ir com o pai para todo o lado. A mulher, Luciana, não é lá muito fã mas se for de algum emblema, é do Casa Pia», ri-se Alberto Pinhão, concordando que os casapianos precisam voltar a participar ativamente no quotidiano do clube.
«A equipa precisava, sim, de uma claque. O ambiente fica muito morto», constata, lamentando, também, falhar os próximos jogos que se deparam ao grupo de Pina Manique.
«Nos próximos fins de semana não vou estar cá, sendo essa a única razão de não estar na bancada. Mas, logicamente, estarei atento. Em outubro regressarei», promete o grande adepto, certo de que muitos dos colegas, amigos e companheiros casapianos voltarão a apoiar a equipa quando o estádio de Pina Manique voltar a receber a bola no seu relvado.
«Realmente falta muita gente. Em nossa casa, em Lisboa, muitos casapianos dos arredores regressarão ao convívio com o clube e com a equipa. Vamos ter casas mais coloridas», projeta ainda, deixando sentida mensagem aos jogadores que domingo visitam o Cova da Piedade: «Tenham vontade de ganhar! Força! Alegria no futebol tal como nós tínhamos quando jogavamos à bola no colégio!»

«Já chorei muitas vezes pelo Casa Pia»

António Serra, 53 anos, dispensa apresentações

António Serra dispensa apresentações. Todos o conhecem. Do futebol, do Casa Pia, do Dom Leitão…
Detentor de timbre de voz muito maior que a sua fisionomia, Serra é por todos acarinhado. Da mesma forma e com a mesma intensidade com que sempre acarinhou o clube e as equipas de Pina Manique.
Estar à conversa com Serra é sinónimo de histórias mil. E a emoção apodera-se sempre deste pequeno mas enorme senhor que não esconde lágrimas. «Toda a gente sabe que sou do Benfica. Mas nunca chorei pelo Benfica e já chorei muitas vezes pelo Casa Pia. É uma paixão diferente. É mais familiar», adjetiva, explicando como a sua vida se cruzou com a dos gansos.
«Não sou casapiano mas foi um amigo meu, Manuel Gaspar, quem me trouxe para o clube há 40 anos. Vim para seccionista dos iniciados e vivi grandes momentos com aqueles rapazes que cresceram à força», conta António Serra, 53 anos, homem da rádio. «Andei 15 anos com o microfone na mão, pela Rádio Mais, e sempre acompanhei o Casa Pia. Foi-se fortalecendo a ligação. Cheguei a fazer parte da direção e tive o privilégio de lidar aqui com jogadores como Ferro que foi cá júnior, na I Divisão da categoria», lembra Serra que há oito anos passa os dias em Pina Manique, sendo um dos rostos do Dom Leitão, patrocinador do clube.
«Sou patrocinador de coração. Tudo o que puder fazer para ajudar farei. Sempre. Maiores alegrias com este emblema? Claro que a subida do ano passado… Houve festa, jantar, uma enorme alegria. Mas na formação também vivi momentos marcantes. Alturas houve em que não tínhamos 11 para ir a jogo… rapazes que, com poucas condições de vida, choravam com os resultados. Cheguei a ser convidado para estar nas palestras, nos balneários. São momentos particulares das equipas mas que muitas vezes testemunhei. Recordo com felicidade a subida à I Divisão de juniores…», solta Serra, confidenciando o sonho de ver o Casa Pia vencer uma grande competição profissional. «Porque não? Também ninguém diria que a equipa estaria na Liga Pro! Da forma como os resultados foram aparecendo, as vitórias, toda a caminhada… Depois, a ida ao Estádio Nacional, a desvantagem no marcador e a glória após as penalidades…Não devemos ser irrealistas, é certo, mas este momento que vivemos agora honra os 99 anos de história já passada», acentua o empresário, agradado, pela positiva, com Luís Loureiro.
 «É um homem do norte… Gosto da sua tranquilidade, da sua humildade. Espero que a equipa técnica seja feliz durante muito tempo no Casa Pia», expressa o carismático comunicador deixando mensagem para o grupo capitaneado por João Coito.
«Amigos – a competição ainda agora está a sair do adro. Com dedicação, união, crença… tudo está ao vosso alcance! Uma vitória catapulta-nos para coisas boas. Esta época temos deixado boas indicações, ainda não fomos goleados, falta o click da vitória mas estamos juntos!»
As palavras ganham ainda mais força proferidas com a entoação de Serra. «Adorava poder gritar um golo do Casa Pia. Adorava um dia, com estádio cheio, gritar um golo nosso e esperar resposta dos adeptos. Gritar o nome do jogador e as bancadas repetirem-no! Seria momento de enorme adrenalina», sonha o adepto, focando ponto essencial: os adeptos.
O apoio que a equipa merece.
«É um fenómeno complicado este aqui…Há milhares de casapianos espalhados pelo mundo. Mesmo em casa o Casa Pia joga fora…É um enorme handicap. Sozinhos contra tudo o resto. Lamentável. Não há quem lhes bata palmas…O Casa Pia é uma referência! Sublinhe-se. É emblema muito respeitado. O nome associa-se a história e a gente de bem. Há muitos árbitros que se mostram honrados de apitar o Casa Pia. É prestigiante. A equipa e o clube esforçam-se sem apoios, até mesmo institucionais. A própria Câmara Municipal de Lisboa  e o seu departamento de desporto deviam olhar para o Casa Pia com outros olhos. Apoia-lo, investir no clube que está no coração da capital», critica Serra, também ele homem de coração bem maior que o peito. Um grande adepto!

Casa Pia nunca se despe!

O Casa Pia nunca se despe!
Que o diga Jorge Manuel Mendes Simão. O nome permite-nos fazer a rápida e natural associação – sim, trata-se do pai de Bruno Simão, defesa do Casa Pia AC.
A verdade é que a família do camisola 3, que vive em França – em Plaisir, a 10 minutos de Versalhes-, é ferrenha do clube, vibrando e acompanhando, mesmo que à distância, as exibições do defesa e de todo o grupo.
Jorge Simão, pai também de outro jogador de futebol – David Simão, médio do AEK (Grécia)-, foi imigrante durante 20 anos, daí a dupla nacionalidade dos futebolistas. Tinha Bruno Simão seis anos quando toda a família regressou à pátria mãe. E por cá ficaram mais um tempo, operando no ramo da construção civil. Quando a crise foi impiedosa a família Simão regressou a França, onde sempre foi bem acolhida e bem sucedida, lá se mantendo até aos dias de hoje.
Mas o longe faz-se perto e, como todos os que deixam o país em busca de melhores condições de vida, as saudades só intensificam o amor a Portugal e a quem cá se deixa – sobretudo a família.
E como se vê, Jorge Simão, fervoroso adepto dos clubes dos filhos, nem quando em descanso mima a família com uma bela paella despe a camisola dos gansos-negros. «Desde que eu e o meu irmão começamos no futebol, tínhamos oito anos, que os nossos pais são os mais fervorosos adeptos dos nossos emblemas. Os fãs número 1. Nossos e da minha irmã, claro, que não está ligada ao futebol. Aliás, este ano já vieram cá de propósito para ver o nosso jogo contra o Penafiel. Agora, quando jogamos com o FC Porto B , o meu pai vestiu lá a camisola todo orgulhoso e babado para mostrar aos amigos, já que também há em França grande comunidade de imigrantes portistas. Ele e a minha mãe, Maria de Lurdes, que foi quem me levou ao meu primeiro treino no Benfica, outra hiper, mega ferrenha acompanham tudo sempre pela Internet!», conta, feliz, Simão, falando ainda do grande amor da sua vida – também ela um exemplo de casapiana: Carolina.
«A minha filha é a minha vida. Também já veio ver o jogo com o Penafiel e esteve agora no Porto. Foi sozinha de autocarro ter com a minha namorada para irem aplaudir-nos. Grita sempre pelo Casa Pia», acrescenta Bruno Simão, também ele embevecido, tal como, garante, ficam os seus pais a cada jogo dos gansos.

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#maisqueumclube

Carolina e o pai, Bruno, em plena bricolage mas equipados a preceito

«Um desistente nunca ganha e um vencedor nunca desiste!»

Nuno Dias, 44 anos, pede ao grupo a mesma união da última temporada

Nuno Dias, 44 anos, adepto do Casa Pia, parafraseia o escritor Napoleon Hill para deixar sentida mensagem à equipa que sábado joga em casa do FC Porto B: «Um desistente nunca ganha e um vencedor nunca desiste! A predisposição para os embates que temos pela frente é determinante. Jogar para pontuar, jogar o melhor possível, nunca desistindo, fazendo aparecer a união e o sacrifício que nos caracteriza em campo. Não é missão impossível se trabalharem todos em conjunto. O que passou passou, e os pontos estão aí para quem marcar mais. Máxima concentração e eficácia na concretização para surpreendermos o adversário. Não desistimos, porque somos vencedores.»
Nuno, profissional de consultoria académica na área da biologia e antropologia, é casapiano de coração. Sem qualquer ligação à Instituição foi o clube que o seduziu, por ele se deixando enamorar.
«O Casa Pia sempre foi um dos clubes do qual queria saber resultado e classificação a cada jornada, sempre que abria um jornal desportivo, fosse competição nacional ou distrital. Um daqueles clubes agradáveis, embuído de relevância desportiva histórica. Nascido e criado em Lisboa, estudei e trabalhei em Évora e em Coimbra e só há cerca de dois anos, quando voltei a residir em Lisboa, comecei a acompanhar o CPAC mais de perto. Duas razões de fundo: primeiro porque sempre fui interessado pelo fenómeno futebol, desde os aspetos diretamente relacionados com o jogo, à história e dimensão antropológica que lhe estão subjacentes. Segundo: a dada altura, antes do inicio da extraordinária época 2018/19, visitei o nosso “patrocinador” Dom Leitão, do amigo Serra, para um almoço com um amigo meu que em tempos foi jogador do CPAC, José Ângelo. Muita conversa rolou sobre o Casa Pia nesse almoço. Findo o mesmo, visitamos furtivamente o relvado e foi aí que tive a ideia de comparecer ao primeiro jogo em casa, em que recebíamos o Moura. O CPAC fez um jogo excelente e no único ataque que o Moura fez, marcou e ganhou com um golo um pouco na onda do que aconteceu recentemente frente ao Estoril- uma bola parva. Mas esse jogo deu-me o clique e comecei a acompanhar o CPAC e a querer saber mais da sua história e gentes. E fui ficando», explica Nuno Dias, garantindo ser agora adepto incondicional dos gansos.
«O Casa Pia tornou-se numa paixão que foi-se solidificando num interesse genuíno que não vai desaparecer mais. Daquelas coisas que se sentem, apesar de eu nunca ter tido nenhuma ligação à instituição Casa Pia. Penso que, na época transata, assisti a todos os jogos em casa e alguns fora. Frente ao Montijo, percebi que o grupo era especial e que íamos ao Jamor. Ao longo da época sempre fui recordando esse jogo a várias pessoas, confiante em desfecho positivo. Foi quase o CPAC contra o mundo e vencemos todos. Muito bom», recorda, saudoso.
Mas o clube e a equipa vivem já nova era.
«O início desta época tem sido emocionalmente frustrante para todos mas há que compreender as circunstâncias num quadro total, desde o jogar fora de casa até à necessária adaptação aos novos elementos. Mais uma vez, e como na época passada, a importância da união intrínseca vai ser importante, desde quem joga e se treina até quem dirige, planeia e executa. Apesar das contrariedades iniciais vejo dedicação e trabalho de todos, o que me dá esperança no objetivo a alcançar: a manutenção. Para tal teremos grandes batalhas dentro de campo. Umas iremos ganhar, outras não. É desporto. Mas nestes últimos três jogos não vi o Casa Pia ser humilhado. Batemo-nos bem e tivemos bastante azar com a bolinha e com o vento. Mas quando se falha, falhamos todos», sublinha o fervoroso adepto, crente que o grupo vai voltar a ser feliz! Um exemplo de adepto!
Um grande adepto!

Rosário chama por mais apoiantes!

Rosário Pedro, 29 anos, apaixonou-se pelo Casa Pia AC

A história que aqui se conta tem por intuito servir de exemplo.
O protagonista? Rosário Pedro. Angolano, de 29 anos, que em dezembro passado chegou a Portugal. Veio sozinho, em busca de melhores condições de vida. A família ficou longe. E apertam as saudades.
«Muitas!»
Trabalhador da construção civil, o estádio de Pina Manique é a terceira obra em que participa. Foi jogador do 1.º Agosto (Angola), «extremo, tanto na direita como na esquerda», apaixonado por desporto e futebol.
Todos os dias, bem cedinho, Rosário ‘pega’ ao serviço.
E habituou-se a ver a equipa de Luís Loureiro treinar-se.
Foi metendo conversa com os jogadores, conhecendo-os pelo andar, pelo chutar… Agora, é adepto fervoroso.
«Estive a acompanhar o jogo de estreia na Liga Pro, em Faro, e acredite, senti-me mal», garante Rosário, nome com que sua mãe, deveras devota, fez questão de o batizar. E Rosário gosta do seu nome. Gosta mais do que das alcunhas que os amigos sempre lhe colocam.
«Depois de me conhecerem começam logo a chamar-me de ‘o mais falante’. Na minha terra chamam-me boquero, que é mesma coisa. Porque não me calo», justifica, vendo chegar a equipa após mais uma sessão de trabalho. «O que passou, passou!»
«Já foi!», grita aos jogadores, aludindo ao resultado da primeira jornada do campeonato (Farense, 3-Casa Pia AC, 1).
«Fui ver os jogos da Taça da Liga, frente a Vilafranquense e Boavista – que espetáculo – e ainda fiquei mais fã desta equipa!», desfere Rosário, aproveitando para agradecer a Carlitos, jogador com quem já fez amizade. «Gosto muito do Kenidy, que também é angolano, do Carlitos e do Roncatto. Mas olhe, é um sentimento muito doido. Daí que esteja a incitar vários amigos para formarmos um grupo de apoio à equipa. Já somos uns quantos. E havemos de ser muitos mais. Eles merecem. E eu vibro tanto com eles! Na bancada todos me ouviam a gritar. E tem de ser assim. Como digo, não sou de cá, também trabalho aos sábados, dias de jogo, mas lá consegui por-me a caminho de Mafra. Descobri onde era o estádio e lá estive de coração! Temos de puxar por eles, fazê-los sentirem-se acompanhados. Eles trabalham tanto, muitas vezes bidiários- eu assisto a tudo aqui. Merecem sorte, sucesso e uma forte massa associativa», pede Rosário, lamentando, já, a conclusão da obra: «Quando entregarmos o estádio remodelado, já aqui não estarei diariamente. Mas não vou afastar-me da equipa. Isso não!»

Força que vem da Austrália!

As redes sociais unem o globo. Reduzem-no a uma simples aldeia.
Depois de alguns comentários com mensagens simpáticas, abonatórias e incentivadoras à equipa de Luís Loureiro, Nando Tinoco Cruz (conforme perfil no Facebook) respondeu ao nosso apelo, contando-nos o porquê de estar tão longe, na Austrália, e ser fervoroso adepto do Casa Pia AC.
Fica a missiva, na íntegra: «Bom dia. O meu pai foi estudante e jogador do Casa Pia AC: Manuel Fernando Simões da Cruz. E o meu filho, Zion Cruz, é, este ano, jogador dos sub 19, juniores do Casa Pia. Nós vivemos em Gold Coast, Austrália. Vou mandar umas fotos da história que o meu pai tem de Casa Pia. Boa sorte para todas as equipas. Obrigado!»
Obrigada nós!

Em Gold Coast, Austrália, torcem pelo Casa Pia AC

«Acordem casapianos! Onde andam todos?»

José Luís Conceição, 86 anos, pede apoio de todos ao clube

José Luís Conceição.
O nome é sobejamente conhecido por todos quantos sentem e vivem o clube. Há dois meses que vive na Associação Casapiana de Solidariedade, junto dos seus «irmãos», como gosta de dizer.
Zé Luís estava a ver a Volta a Portugal em bicicleta quando desceu para falar acerca dos seus assuntos preferidos: a mocidade na Casa Pia e a devoção ao Casa Pia Atlético Clube.
«Sou natural de Abrantes mas fui para a Casa Pia com seis anos. Eu e o meu irmão gémeo, Fernando. Idade? Já fiz aqui 86 anos», conta, bem lúcido, lembrando ter-se reformado com 60 anos depois de ter servido durante 43 a Força Aérea Portuguesa (onde recebeu condecorações e louvores). 
Zé Luís sente grande apreço pelo presidente Vítor Seabra Franco, pela sua mulher e filho, e a amizade estende-se ao bem querer ao clube e à sua equipa de futebol.
A Mafra vai a todos os jogos. Nas deslocações fora já se torna mais complicado.
«Já ajudei o clube, e continuo a ajudar, pelo que significa para mim e pela amizade que tenho com o presidente. Que é um nobre homem, muito humilde. Quis dar-me a Cruz de Ouro do clube. Respondi-lhe: ó Vítor, eu vou para a cova branquinho, vocês é que precisam do dinheiro», ri-se.
E prossegue.
«Já me disse que a sala de conferências da nova sede teria o meu nome, para que não se esquecessem de mim. Mas o que fiz foi sempre de coração. Pelo clube e pelos casapianos. Empreguei mais de 200», desfere o octagenário, recordando, feliz, a «sopa da Mina, que era só de couves», «o molho Marcolino que parecia tijolo, feito sabe-se lá com o quê que não havia azeite no tempo da guerra» e o quanto fugia do óleo do fígado de bacalhau.
«Prefiro ajudar o clube do que deixar para o Estado», garante Zé Luís, lembrando que a sua falecida esposa, Isabel, incitava-o a ajudar o emblema. «Houve altura em que ia ver os jogos com ela e a equipa perdia. Uma vez disse-lhe: acho que sou eu que dou azar. E disse-me a minha mulher: ó Zé Luís, porque não dás dinheiro ao clube? Sempre fez gosto que ajudasse o Casa Pia», lembra, já com os olhos rasos de água.
«Gosto do clube, gosto da direção, gosto dos colegas e amigos que encontro nos jogos, gosto da equipa técnica. Quando os jogos voltarem a ser aqui em Pina Manique até vou a pé, que é mesmo aqui ao lado e só me faz bem que graças a Deus tenho saúde», entusiasma-se Zé Luís, alterando o tom de voz para lançar o repto: «Acordem casapianos! Onde estão todos? Se todos os casapianos fossem sócios do clube, o Casa Pia Atlético Clube seria o terceiro maior de Lisboa. Que é feito das famílias e descendentes casapianos? Já muitas vezes, em convívio com os meus irmãos, nos jogos, me chateei com alguns eles por não serem sócios. E digo-lhes: que vergonha! Foi tão bom encontrar tantos deles naquela final do Estádio Nacional… onde andam?», indaga Zé Luís, deixando curta, mas impactante, mensagem à equipa de futebol que já fez história ao ascender à Liga Pro: «Acredito em vocês. Por isso – força!»

Zé Luís ajuda o clube «de coração» e deixa mensagem de força e crença para a equipa de Luís Loureiro, prestes a estrear-se na Liga Pro

«Enquanto puder estarei cá para vocês!»

Bárbara França, 85 anos, é adepta assídua dos jogos do Casa Pia

Dona Bárbara está já refeita das emoções da passagem do Casa Pia AC à segunda fase da Taça da Liga. Naturalmente, esteve em Mafra a apoiar a equipa. Prática que repete há anos.


«Foi maravilhoso», elogia a adepta de 85 anos. «Feitos esta semana. Mas desde os meus 20 anos que apoio a equipa. Mesmo antes de casar com um casapiano, Manuel Maria, que já faleceu há 20 anos, acompanhava o clube. Herdei o gosto da família e sempre, sempre gostei muito de futebol. Ainda hoje. Vejo muito futebol em casa. E o Casa Pia sempre foi a minha equipa», reforça Dona Bárbara, concordando, que, noutro tempo, falar e acompanhar futebol era muito vanguardista.

«Era mesmo. Eu até trabalhava como empregada de escritório e, depois de casar, deixei de trabalhar que naquele tempo as mulheres não trabalhavam. Vim para casa cuidar da família e sempre fui ao futebol com o meu marido. Agora vou a todos os jogos quantos possa. Já me desfiz do meu carro mas o meu amigo Assis leva-me a muitos encontros, sejam eles no norte ou no Algarve. Enquanto puder estarei sempre na bancada, estarei sempre cá para vocês», promete a ternurenta senhora, figura muito acarinhada por todos. «Isso é por ser velhinha», ri-se.

«Maior alegria com o Casa Pia? Nem sei. O Casa Pia é sempre uma alegria. Às vezes, até quando perdem é uma alegria. »
O amor ao clube atravessa já gerações. Filha, netos e bisnetos comungam do amor ao Casa Pia.

«Sou sempre eu que pago as quotas de três. As minhas, as da minha filha e as do meu marido. Mesmo já falecido continuo a querê-lo sócio. Acho que é a melhor homenagem que lhe posso fazer», justifica, emocionada Bárbara França: «Uma mensagem para a equipa? Só quero que lhes corra tudo sempre bem, que sejam felizes e saibam que, tal como eu, muitos casapianos lhe desejam sucesso!»

Dona Bárbara é amiga muito acarinhada