Casa Pia Atlético Clube
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“O nosso tempo na instituição acabou, mas não o nosso amor, então o clube representa isso, o elo de ligação.”

O Casa Pia esteve à conversa com Rui Alves, é casapiano desde os seus 10 anos de idade, quando entrou para a casa mãe como semi-interno. Infelizmente, uma tragédia com a saúde da sua mãe, levou-o a ter de ficar sob a tutela da Casa Pia como aluno interno. Pelo menos até aos seus 18 anos, esta seria a sua nova casa, e Rui deu todos os passos que podia dar, num percurso a que podemos chamar de exemplar.

Rui, fale-nos um pouco do seu percurso na Casa Pia.

“Tirei o curso de Administração e Comércio nível 2 e o curso de Técnico de Contabilidade nível 3, não era um aluno brilhante, mas bom o suficiente para não ter problemas nenhuns, fui o primeiro aluno do meu lar que entrou para a faculdade. Fui monitor, fazia o turno das dez da noite às sete da manhã, normalmente este trabalho era feito por alunos da Católica, até que que começaram a haver mais alunos a entrar para a faculdade, e a instituição resolveu disponibilizar este apoio aos alunos da Casa Pia. Entravam para a faculdade, tinham ali o seu quarto, roupa lavada, comida, era benéfico para os dois lados. Fiz estágio no último ano da faculdade no Colégio de Santa Clara e antes de ir para Inglaterra ainda fui educador no Arrife, na altura chamado de preceptor. Posso dizer que fiz quase o trajeto completo de ambos os lados.”

E desporto, praticou?

“Pratiquei futebol no Casa Pia, mas infelizmente na altura havia acordos com o Sporting e o Belenenses em que os jogadores que não jogavam nas equipas deles vinham rodar ao Casa Pia, e isso não nos dava a possibilidade de jogar. Joguei basquetebol, andebol, voleibol e fiz natação. No voleibol, joguei na primeira equipa do Casa Pia a jogar na 2ª divisão, nesta equipa era tudo casapiano, com muitos alunos internos.”

20 anos foi o tempo que esteve fora, acompanhava o clube?

“Sempre acompanhei o clube quando estava fora. Recebia o jornal em casa, e tinha o contacto com alguns casapianos que estavam em Londres. Penso que fui o primeiro a criar uma página do facebook para os casapianos, era uma página muito interessante porque encontrávamos casapianos de todo o mundo. Muitos da geração de 60, que ainda hoje é uma geração muito forte no facebook e que tem o próprio grupo deles. Também vinha cá de vez em quando e fazia o contacto com algumas pessoas que conhecia lá.”

Existe alguma coisa que gostasse de ver implementado no clube?

“Uma coisa que nós não temos, é desporto para veteranos, acho que para nós era uma coisa bonita de se fazer, tínhamos um desporto em que nos juntávamos. Por exemplo o atletismo, sei que há muitos casapianos já com alguma idade que gostam de correr, sempre se habituaram a correr e que ainda hoje fazem maratonas. Eu acho que nós somos um grupo muito competitivo, e éramos capazes de conseguir resultados interessantes, em todas as camadas, dos 40 até aos 80. Há muita gente que possivelmente precisa de passar o tempo, em vez de ir só ver o jogo. Acho que seria benéfico fazer esta simbiose. E podia existir um espaço para estarmos todos juntos, um espaço que seja só nosso, em que estejamos à vontade a conviver.”

Passado, presente, futuro, o que observa no clube?

“Acho que estamos no caminho certo, o clube está muito mais profissional, temos a possibilidade de subir à primeira divisão, que é algo único, mostra que houve um esforço muito grande do clube para evoluir, e não só no futebol, nos outros desportos também.”

Também vejo uma aproximação muito maior do clube aos casapianos, antigamente era uma coisa de que se falava, mas não acontecia, e agora vejo que os grupos estão a aparecer, vejo muito mais pessoas a ir ver os jogos, a confraternizar, tem havido uma aproximação de ex-alunos com o clube. Penso que há muitos ex-alunos que não sabem que o clube é isso, está ali para ser a nossa ligação, porque a casa mãe é a casa mãe, e tem de se preocupar com as crianças que lá estão agora. É a mesma coisa como quando saímos da casa dos pais, há um tempo para tudo, o nosso tempo na instituição acabou, mas não o nosso amor, então o clube representa isso, o elo de ligação.”

A claque “Gansos 1780”, veio para ficar? Tem futuro?

“A claque, futuro tem de certeza. Se calhar o futuro é sermos mais profissionais, mais organizados, mas acho que o que é bonito desta claque é ser algo que é espontâneo, quem pode ir num fim de semana vai, quem não pode não vai. Basicamente foi criar um grupo em que estejamos unidos e possamos discutir o clube, é um grupo social em que nos encontramos antes e depois do jogo em que não é só o futebol, é tudo.”

Alguma mensagem para os irmãos casapianos?

“A minha mensagem para os casapianos, é irem de coração aberto, se todos nós dermos um bocadinho ao clube, acho que ajudará toda a gente. É basicamente isso, é ir de coração aberto e de braços abertos e tentar ajudar o máximo possível, essa é a minha mensagem.”

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