Casa Pia Atlético Clube
Estádio Pina Manique,
Parque de Monsanto, 1500-462 Lisboa
geral@casapia-ac.pt
Cultura, Solidariedade e Desporto
(+351) 210 513 911

Um Projeto a decorrer sobre o casapiano «Faiunça»

Órfão de pai, José de Jesus Branco (23 de Maio de 1931 – 3 de Agosto de 1982) foi toda a vida conhecido como «Faiunça», a sua alcunha na família gansídia. O ano de 2021 ficou marcado pelos 90 anos do seu nascimento e o ano de 2022 será igualmente de registar pelos 40 anos da sua morte. Tais comemorações fazem sentido para quem se recorda deste casapiano ou da sua obra.

Mas quem era o «Faiunça»? 

Acolhido na Secção de Pina Manique da Casa Pia na década de 1940, «Faiunça» tornou-se, em seu tempo, o «melhor Formador-Escultor português», conforme já o qualificava, em 1966, José Luis da Conceição (1933-) [OCasapiano, Ano XII, Nº 120, Agosto de 1966, p. 7]. A comunidade casapiana pode mesmo ficar orgulhosa!

Por ter tido um temperamento humilde e discreto e sido um profissional que sobretudo auxiliou as criações dos mais eminentes Escultores da segunda metade do século XX, «Faiunça» não assinou as estátuas monumentais que ajudou a erguer em cimento, pedra ou bronze, e com as quais nos cruzamos em várias cidades do pais. 

Como reencontrar então a marca deste Formador ímpar?

O nosso património cultural traz-nos artefactos, obras de arte e monumentos que nos ajudam a entender melhor as nossas raízes, o nosso passado mas também o presente em que vivemos. Porque são vestígios materiais da nossa História comum, procura-se preservá-los e transmiti-los às gerações vindouras.

Mas quando são as pessoas que desaparecem, o que podemos fazer, na ausência da sua presença física, para nos deixarmos inspirar pela vida (irrepetível) que tiveram, pelo seu saber que agora se vai perdendo e pela sua sensibilidade, também única?

Esta questão é o cerne do Projeto «(Re)descobrir “Faiunça” (1931-1982): Herança de um casapiano e Formador para a Escultura portuguesa», que está a ser implementado, desde meados de 2021, no Departamento de Conservação e Restauro da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa, sob a coordenação de Agnès Le Gac.

Não é fácil resgatar a memória de “Faiunça” – algo intangível que não deixa de ser também uma expressão patrimonial da nossa cultura –, apesar de terem passado apenas quatro décadas depois da sua morte. É preciso mergulhar num universo complexo de documentos avulsos, dispersos em arquivos de várias instituições e coleções privadas; num emaranhado de relações que o «Faiunça» foi tecendo ao longo dos seus 51 anos de vida; nas obras remanescentes da sua atividade de Formador, que haveriam de patentear o seu génio técnico e as suas múltiplas competências.

É nestas bases que se procura documentar e esclarecer as origens do «Faiunça», a formação que recebeu na juventude na Casa Pia, as técnicas que dominava (de Modelação, de Formação do barro e do gesso e de Fundição dos metais), os escultores com quem trabalhou e os colaboradores que teve, e ainda as obras que produziu entre 1950 e 1982, que hoje permanecem e constituem parte da Herança de todos nós.

No âmbito desta investigação, estão a decorrer, em várias frentes, estudos complementares, numa colaboração interinstitucional que garante também uma abordagem interdisciplinar.

Assim, montaram-se sub-projetos, os quais têm em vista:

1) a recolha sistemática de memórias sobre o «Faiunça», entre arquivos históricos e testemunhos vivos de quem o conheceu – Projeto liderado por Agnès Le Gac e Helena Pinheiro de Melo;

2) a salvaguarda de parte do acervo fotográfico de Manuel Branco (1925-), o irmão mais velho do «Faiunça» – Projecto liderado por Élia Roldão.

3) a conservação idônea de retratos de «Faiunça» realizados pelo casapiano Armando Matos Simões (1933-) – Projecto em que colabora Vasco Montenegro.

4) a compilação sistemática de informações sobre a vivência e obra do atrás referido Armando Matos Simões, um outro artista multifacetado – Projecto em que colabora Leonor Almeida.

O Projeto «(Re)descobrir “Faiunça”» conta com as seguintes instituições parceiras:

Texto de Agnès Le Gac, Élia Roldão, Helena P. de Melo, Leonor Almeida e Vasco Montenegro.

Iremos dando notícias das nossas descobertas.

Agnès Le Gac, Professora Auxiliar do Departamento de Conservação e Restauro e Membro Investigador do LIBPhys-UNL do Departamento de Física, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Élia Roldão, Conservadora-Restauradora de Fotografia, Professora Auxiliar Convidada do Departamento de Conservação e Restauro da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Helena Pinheiro de Melo, Conservadora-Restauradora de Pintura, Bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) (Bolsa SFRH/BPD/109296/2015), Investigadora do Laboratório HERCULES e membro da Cátedra City University of Macau em Património Sustentável, Universidade de Évora.

Leonor Almeida, Aluna do 1º Ano de Mestrado em Conservação e Restauro do Departamento de Conservação e Restauro da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Vasco Montenegro, Aluno do 1º Ano de Mestrado em Conservação e Restauro do Departamento de Conservação e Restauro da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Usamos cookies para lhe proporcionar uma experiência melhor.
PortugueseEnglishSpanishChinese (Simplified)