Casa Pia Atlético Clube
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Intervenção psicossocial, um projeto que toma um novo fôlego 13 anos depois

Acompanhamento psicológico, escolar, familiar e intervenção social junto dos atletas do CPAC. Este é o desafio relançado pela direção ao educador social Mário André, antigo atleta, treinador e aluno.

Já tinha estado no Casa Pia em 2008 com um projeto idêntico, mas direcionado apenas para o futebol de formação, passados 13 anos, o que é que mudou?

“Há uma questão que é fundamental, neste momento vamos olhar para o clube em si e todas as modalidades e não só o futebol, embora estejamos a falar de crianças e jovens, cada modalidade tem a sua organização e especificidade, será um trabalho com uma intervenção muito mais abrangente que irá acolher situações específicas de cada modalidade.

Relativamente ao clube, neste momento é uma estrutura com perspetivas de evolução dentro da área profissional, houve uma evolução social em que o desporto e a área social caminham lado a lado, o que é fundamental para sermos competitivos. Há que acompanhar os jovens e como se integram na sociedade.”

Em que consiste este projeto?

“Esta ideia já existe, mas neste momento ainda não está a ser implementada, estamos muito ligados à importância de ter psicólogos, o que é fundamental, mas são áreas que não se chocam e podem ser complementares, a minha área de intervenção está ligada à pedagogia social e trabalha de uma forma diferente da psicologia.

O projeto surgiu de uma visão, enquanto treinador apercebi-me de que o método que aplico na área profissional, quando trabalho com famílias, é perfeitamente aplicável na área do desporto e que era uma necessidade, quando um atleta acaba um treino ou um jogo passa para o contexto social, quando acontece essa transição, levamos problemas de um sítio para o outro, e ajudar neste processo é uma prioridade no nosso trabalho. Os quatro grandes pilares deste projeto são o atleta, a família, a escola e o meio social envolvente, será uma intervenção global onde nenhuma área é excluída.

O grande objetivo será termos atletas que se sintam bem com eles próprios, tenham um meio familiar mais equilibrado, uma vida social mais equilibrada e percebam que estão num clube onde têm todo o suporte necessário.”

Em 2020 disse que queria “um clube com uma retaguarda mais forte e uma ligação mais vincada à escola”. Quer formar grandes homens para além de grandes atletas?

“Completamente, no fundo é esse o grande objetivo, facultar ferramentas para formar crianças e jovens para que possam vir a ser grandes homens, a partir daí é que vem o grande atleta, não tenho dúvidas nenhumas. Isto pode acontecer no final de um, dois ou mais anos de intervenção, ou até não ser percetível qualquer resultado, mas garantidamente todos os inputs que o atleta recebe, um dia mais tarde virão ao de cima mesmo que inconscientemente.”

Por onde vai começar?

“Antes de mais, vou numa primeira fase conhecer as equipas, agregar toda a informação de modo a detetar alguma necessidade para definir em conjunto a área onde vamos intervir e como o vamos fazer.

Passar também a mensagem aos atletas de que não existe só o treinador ou o dirigente, que pode recorrer a outros pontos onde tem o apoio para tratar de qualquer problema ou necessidade que tenha, a partir daqui será feita uma abordagem sistêmica de modo a projetar um plano evolutivo junto do atleta.” 

Relativamente aos atletas que estudam na Casa Pia, será necessário um acompanhamento mais vigilante pois na sua grande maioria vêm de contextos mais fragilizados, há algum plano para estes atletas?

“De uma forma geral há a probabilidade de surgirem mais lacunas em alunos institucionalizados, mas não vamos fazer diferenciação. Será sempre a partir de um primeiro diagnóstico que iremos detetar alguma necessidade. 

Não esqueçamos que estes alunos também já têm o apoio da instituição, o apoio do clube será sempre complementar e um trabalho conjunto entre ambos.”

Alguma mensagem aos pais?

“Sim, colocando-me no lugar de pai, neste momento, se tivesse de escolher um clube para o meu filho praticar desporto escolheria aquele com melhores oportunidades, mais segurança, que olhasse para um atleta numa perspetiva futura.

Penso que qualquer cuidador terá sempre essa preocupação com os seus, e neste momento o Casa Pia marca um passo em relação ao mundo desportivo.

Nós estamos aqui, estamos aqui para vos receber para vos acolher, e queremos estar sempre na linha da frente. O clube é feito de pessoas e os atletas são uma parte importante, senão a parte mais importante, e nunca esquecendo os pais, que são nossos parceiros e não inimigos, queremos trabalhar com eles, saber o que perspetivam para os seus filhos, o que gostavam de ver melhorado.

Isto é o que o Casa Pia está a apresentar à sociedade, um passo que tem de ser dado se queremos estar no topo.”

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